Em uma série de posts anteriores, temos discutido uma abordagem educacional, possivelmente inovadora, que denominamos de Aprendizagem Criativa. Dela já postamos as características gerais, a metodologia e alguns de seus passos metodológicos. Os links a seguir permitem o acesso aos posts anteriores, na ordem lógica da apresentação, que estamos desenvolvendo em capítulos:
2. Aprendizagem Criativa – Metodologia
3. Aprendizagem Criativa – Focalização e simbolização
4. Aprendizagem Criativa – A amplificação
5. Aprendizagem Criativa – A análise (I) – falar e ouvir
6. Aprendizagem Criativa – A análise (II) – o grupo-sujeito
7. Variações criativas na dinâmica dos grupos – Aprendizagem criativa – A análise (III)
Além desses textos mais teóricos, postamos quatro artigos sobre aplicaçações metodológicas e questões correlatas:
1.Dinâmica de apresentação (Grupo-sujeito)
2. Falar e ouvir
3. Dinâmica do Circuito dos Elementos
4. Arquitetura escolar e Aprendizagem Criativa
Neste post, vamos continuar descrevendo as caracaterísitcas da fase de Análise na Aprendizagem Criativa.
Variações Criativas na Apresentação da Análise
A análise da amplificação ( ver item 4, acima) pode ser feita individualmente, em pequenos grupos, em painel ou assembléia. Para todos esses casos, coloca-se o problema de como organizar e apresentar os dados da reflexão e/ou discussão. Embora parecendo um problema de ordem menor, a forma de registro e apresentação da análise pode ter um peso significativo na eficácia e no envolvimento dos participantes com a situação de aprendizagem.
Um registro mal organizado e uma apresentação enfadonha da análise podem comprometer toda a situação de aprendizagem, por melhor que tenham sido os momentos anteriores. Já existem inúmeras alternativas técnicas para a apresentação da análise. Também aqui é possível ser criativo.
Vamos começar com as alternativas já conhecidas. Vamos desconsiderar, por banais, a apresentação oral ou da transcrição de um resumo das conclusões para folhas de flip-chart ou de cartolina, seguidas de apresentação oral e debates. Dentre as alternativas já conhecidas existem formas mais promissoras.
1. Usando tarjetas para registro e apresentação da análise
A tarjeta é um cartão retangular e colorido, com gramatura variando de 80 a 120, na medida-padrão de 11 por 22 cm. É utilizada para visualização da contribuição individual e para organizar as conclusões de processos participativos de discussão. Para facilitar a visualização com o uso de tarjetas, é importante que o participante (aluno, aprendiz, treinando):
- Só registre uma conclusão por tarjeta.
- Escreva com pincel atômico (azul ou preto).
- Escreva em letra de forma, maiúscula.
- Não use mais do que três linhas.
- Garanta que o texto possa ser visto a distância.
- Use cores diferentes para assuntos diferentes.
- Com fita crepe, cole as tarjetas nos locais indicados do painel
Em reuniões do grupo-classe, com o uso de tarjetas na apresentação das conclusões, é possível construir painéis para visualização das contribuições dos indivíduos ou pequenos grupos. Esses painéis podem tornar-se construções sofisticadas e esteticamente atraentes, com o uso de títulos com formatos diferentes e variando-se a cor das tarjetas segundo uma definição prévia das variáveis a serem utilizadas na análise.
Depois da apresentação dos indivíduos ou dos grupos, como cada conclusão está registrada em uma tarjeta, é possível facilmente mudá-las de lugar para sistematizar e tornar consensual a análise. Pode-se eliminar as tarjetas repetitivas e promover discussões em torno das tarjetas que contém idéias divergentes ou contraditórias. Chegando-se ao consenso, se necessário, outras tarjetas podem ser rapidamente escritas para substituir as que eram anteriormente objeto de discordância.
Por fim, o coordenador (professor, facilitador) pode contribuir com a análise, incluindo outras tarjetas e enriquecendo o painel de conclusões.
Em post a ser ainda publicado, apresentaremos um exemplo de utilização de tarjetas na análise.
2. Usando Mapas Mentais para registro e apresentação da análise
Mapas mentais são diagramas hierárquicos (em árvore) que podem representar os dados da análise da amplificação:
• na forma de texto, ilustração ou ambas;
• de forma sintética;
• de forma organizada e nivelada.
Na figura a seguir, apresentamos um exemplo de mapa mental que foi utilizado para apresentar as informações essenciais sobre o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH):
Observem que a partir de um tópico central (IDH), também chamado de título ou raiz, derivam-se tópicos (O que é; Parâmetros, …) que são ligados à raiz através de linhas. Cada tópico pode conter um texto, ilustração ou ambas, como mostra um outro exemplo apresentado a seguir. Nele, o mapa mental foi utilizado para representar o tempo de degradação de alguns materiais:
Dos tópicos derivam-se sub-tópicos, que por sua vez podem comportar outros sub-tópicos. O resultado é uma organização hierárquica. Nesta, há um crescente detalhamento e os registros são cada vez mais específicos. A formatação da ilustração em geral segue esta orientação. As linhas são cada vez mais finas, as figuras e as fontes do texto cada vez menores.
“Há duas linhas básicas de elaboração de mapas mentais: à mão e em software. O criador da técnica, o inglês Tony Buzan, enfatiza a elaboração à mão, sendo alguns dos argumentos o desenvolvimento da criatividade e a integração dos lados esquerdo e direito do cérebro. Há muitos seguidores de Buzan que são fiéis a suas diretrizes. Um das limitações dessa linha é que a produtividade da elaboração de mapas mentais à mão é muito baixa, devido ao redesenho, sendo mais adequada para conteúdo estável e pessoal. Sob uma perspectiva prática, quando usamos um recurso de estruturação, é porque não estamos conseguindo lidar com um conteúdo e é natural esperar que comecemos com fragmentos que serão depurados e organizados, o que envolve vários ciclos de trabalho, assim como para um texto ou outro documento cuja estrutura ainda não está madura.” ( Virgílio Vasconcelos Vilela, in: Mapas Mentais)
Em post futuro, apresentaremos um exemplo de utilização do Mapa Mental na análise da amplificação.
Para não tornar o post muito longo, este artigo continua em próxima postagem. Nela, apresentaremos outras alternativas técnicas para o registro e a apresentação da análise, tais como as transparências (retroprojetor), o Data-Show e o uso das ferramentas básicas do Movimento da Qualidade.
2 Comentários
Bem organizado,é pena não podermos aceder a outros conteudos.
O Brasil é uma fonte para formadores Portugueses
Clara
Agradecemos o elogio. A que outros conteúdos você se refere?